Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram.
Preciso de um colo que ninguém dá. Mas tudo bem.
Um caso perdido. Esse, finalmente, sou eu. Sou uma catástrofe, uma história mal contada, uma foto mal rasgada e talvez uma poesia mal elaborada. Mesmo que eu queira, não tenho uma definição por completa, sempre sou pelas metades, sem um ponto final ou de exclamação. Sou, quem sabe, uma interrogação. Sou uma folha seca em meio à primavera, uma xícara rachada em pleno café da tarde, a rosa despedaçada, a violeta sem vida, a vidraça quebrada. Sou um amedrontado por escuridão.
Eu só queria um colo para encostar minha cabeça e fingir que o mundo lá fora não existe.
Acorde, garota! Você é linda, inteligente, tem um ótimo perfume e seus olhos brilham mais que um punhado de purpurina. Por que chora? Perdeu em alguma esquina seu encanto?! Ninguém pode tirar de você seu mais belo sorriso, motivo de idas e vindas saltitantes. Coloque sua música favorita para tocar, respire fundo e faça o que de melhor sabe fazer: Ser você…
Ver as pessoas mudando não é o que machuca. O que machuca é lembrar quem elas costumavam ser.
Talvez eu pudesse, eu soubesse, eu devesse, eu quisesse, quem sabe…
Embora estivessem no mesmo barco, as maneiras de remar podiam perfeitamente ser diferentes.